Saúde Mental

Sofrimento psíquico em tempos de excesso: um olhar da psicologia

André Fiker
2 min
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A mente humana não foi construída para lidar com estímulos constantes, mudanças abruptas e exigências simultâneas. Ainda assim, é exatamente nesse cenário que vivemos.

Sob a ótica da psicologia, mudanças sociais muito rápidas afetam diretamente os processos emocionais e cognitivos. A ausência de previsibilidade, a pressão por desempenho e a necessidade de adaptação contínua geram insegurança, ansiedade e dificuldade de regulação emocional.

Muitos pacientes chegam à clínica com queixas que parecem individuais cansaço extremo, sensação de vazio, dificuldade de se concentrar ou de se reconhecer em si mesmos. No entanto, essas experiências refletem um sofrimento que também é social. Um mundo que não pausa produz sujeitos que não conseguem descansar.

Há ainda o impacto na construção de sentido. Quando valores, referências e modos de viver mudam rapidamente, o sujeito pode se sentir desorientado, sem clareza sobre quem é ou o que espera de si. Esse desencontro interno favorece o surgimento de transtornos psicológicos e conflitos emocionais persistentes.

A psicologia convida a desacelerar o olhar. A compreender o sofrimento não apenas como algo interno, mas como um diálogo entre o indivíduo e o contexto em que ele está inserido. Criar espaços de escuta, reflexão e elaboração se torna fundamental em uma sociedade que exige rapidez, mas oferece pouco acolhimento.

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