Comunicação

Quando a mente fala alto demais: entendendo Fusão e Desfusão na ACT

André Fiker
4 min
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Você já percebeu como, às vezes, a sua própria mente parece virar uma narradora incansável e nem sempre gentil?

Uma frase dentro da cabeça ganha tanta força que parece uma verdade absoluta.

Eu não sou capaz”, “vai dar errado”, “todo mundo vai me julgar”…

De repente, é como se não houvesse distância possível entre você e esse pensamento.

Esse é o ponto exato onde entra um conceito poderoso da ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso):

a fusão cognitiva.

O que é Fusão? Quando o pensamento se cola em você

A fusão é quando você fica tão grudado nos seus pensamentos que eles parecem fatos, mandamentos ou identidades.

É quando você acredita que aquilo que a mente diz é exatamente quem você é.

É como se o pensamento se colocasse na sua frente e você não conseguisse ver mais nada.

Exemplos que todo mundo vive:

  • Você pensa “não sou bom o bastante” → e age como se isso fosse um documento oficial.
  • Você pensa “não vai dar certo” → e nem tenta.
  • Você pensa “ninguém gosta de mim” → e se afasta das pessoas.

A mente cria o filme, e você vira o personagem principal… sem perceber que dá pra levantar da cadeira e olhar a cena de outro ângulo.

E o que é Desfusão? É quando você percebe que pensamento é só… pensamento

A desfusão é o movimento oposto.

É quando você começa a enxergar suas ideias com mais espaço, mais perspectiva e mais gentileza.

É quando você diz para si mesmo:

“Isso é só um pensamento, não um fato.”

Sabe aquela sensação de tirar os cabelos de um pente?

Eles continuam ali, mas deixam de prender, deixam de incomodar, deixam de bloquear.

Na desfusão, você faz isso com as ideias que antes te apertavam.

Algumas formas de viver isso na prática:

  • Nomear o pensamento: “ah, olha a minha mente criando aquele velho roteiro de novo…”
  • Falar o pensamento em voz alta com humor: “minha mente acabou de me chamar de incapaz, que ousadia…”
  • Imaginar o pensamento numa folha descendo pelo rio você vê, reconhece, e deixa passar.
  • Colocar “estou tendo o pensamento de que…” antes da frase negativa.

A desfusão não elimina o pensamento.

Mas devolve a você o poder de *escolher o que fazer com ele*.

Por que isso importa? Porque sua vida não precisa ser guiada pela sua mente, mas pelos seus valores

Quando você está fundido aos pensamentos, eles decidem por você.

Quando você está desfusionado, você decide a partir daquilo que realmente importa.

É aí que a ACT fica linda:

  • Não é sobre apagar pensamentos.
  • Não é sobre lutar contra eles.
  • É sobre criar espaço para viver de forma alinhada com seus *valores*, não com seus medos.

Com desfusão, você pode:

  • Dar um passo mesmo com a mente dizendo que você não consegue.
  • Se aproximar de alguém mesmo com a voz interna dizendo que “vai ser estranho”.
  • Tentar algo novo mesmo com o pensamento de fracasso rondando.

Você não precisa esperar a mente se calar para viver.

A vida acontece junto com os pensamentos não contra eles.

Você não é seus pensamentos. Você é quem escolhe o que fazer com eles.

Esse talvez seja o ponto mais libertador da ACT.

Pensamentos fazem parte da mente humana, mas não precisam ser seus chefes.

Não precisam ditar seu valor, nem te impedir de avançar.

A desfusão te devolve perspectiva, respiração, liberdade.

E, quando isso acontece, você começa a perceber que por trás do barulho da mente existe um espaço enorme para construir uma vida movida por significado não por medo.

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