Ansiedade e Estresse

Quando a mente cria histórias… e você aprende a não interpretá-las como destino

André Fiker
4 min
😰

Tem dias em que a mente acorda tagarela.

Antes mesmo do café esfriar, ela já inventou três medos, dois cenários ruins e um palpite dramático que ninguém pediu.

E, sem perceber, você entra no enredo como se fosse tudo verdade.

É assim que funciona a fusão na ACT:

quando um pensamento vira a única lente disponível, como se fosse o óculos que você esqueceu no rosto.

Fusão: quando o pensamento te puxa para dentro da história

A fusão acontece quando você é engolido por aquilo que pensa.

A mente sussurra algo, e você aceita como fato. Sem filtro, sem pausa, sem escolha.

É como abrir um livro e ser puxado para dentro da página, preso na narrativa.

Você deixa de ser o leitor vira o personagem.

E aí surgem frases que moldam comportamentos:

“Se eu tentar, vou falhar.”

“Ninguém se importa comigo.”

“Eu não dou conta disso.”

Quando você está fundido, o pensamento não é apenas um pensamento:

ele vira verdade absoluta.

Ele te dirige, te limita, te trava.

Desfusão: quando você aprende a voltar para o papel de autor, não de personagem

A desfusão é a habilidade de ver sua mente trabalhando sem deixar que ela te controle.

É quando você percebe que a história existe, mas não define quem você é.

O pensamento passa a ser algo que você observa, não algo que você obedece.

É como empurrar o livro um pouco para longe, respirar e dizer:

“Calma. Isso aqui é só uma história que minha mente está criando.”

Essa distância muda tudo.

Algumas pequenas práticas de desfusão:

Tratar o pensamento como um visitante: “Ah, você por aqui de novo?”

Dar nome para o roteiro mental: “Esse é o capítulo do ‘não sou suficiente’ de novo.”

Descrever o pensamento sem julgamento: “Minha mente está gerando uma previsão negativa.”

Não é sobre deixar a mente muda ela não foi feita para isso.

É sobre não ser arrastado por cada frase que aparece.

A mente cria tempestades. A desfusão te ensina a levar guarda-chuva.

A ACT não promete ausência de pensamentos difíceis.

Promete algo mais real e útil: flexibilidade.

Você passa a perceber que pode:

  • sentir medo e mesmo assim agir;
  • ter dúvidas e mesmo assim avançar;
  • pensar coisas ruins sobre si e mesmo assim se aproximar de quem ama;
  • ouvir a mente criticar e mesmo assim construir o que importa.

Isso porque seus valores não suas preocupações começam a guiar seu caminho.

E é aqui que a vida muda.

Você não precisa acreditar em tudo o que pensa. Pode apenas… observar.

A desfusão não te afasta da sua humanidade.

Pelo contrário: te aproxima da vida de um jeito mais gentil.

Você começa a perceber que:

  • pensamentos vão e vêm;
  • emoções passam;
  • a mente conta histórias algumas úteis, outras nem tanto;

você pode escolher qual história alimentar.

E quando você faz isso, abre espaço para viver uma vida menos controlada pela mente e mais guiada pelo que faz sentido para você.

No fim, a grande descoberta é simples e libertadora:

Você não é aquilo que pensa. Você é muito mais do que isso.

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