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Déficit de Atenção de Alto Funcionamento: Quando a Alta Capacidade Cognitiva Mascara o TDA

André Fiker
5 min
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O Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) é frequentemente associado à desatenção, impulsividade e dificuldade em manter o foco. Porém, existe um perfil cada vez mais identificado por especialistas: pessoas com Déficit de Atenção de Alto Funcionamento. São indivíduos que apresentam sintomas de TDA, mas que, graças a uma capacidade cognitiva elevada, conseguem compensar suas dificuldades pelo menos por um tempo.

Esse tipo de funcionamento cria um paradoxo: apesar de inteligentes, produtivas e muitas vezes consideradas acima da média, essas pessoas enfrentam um desgaste interno significativo, ansiedade, sensação de estar “sempre atrasando” e dificuldades crônicas de organização. O resultado? O transtorno se mantém oculto por anos, e o diagnóstico chega tarde às vezes, somente na vida adulta.

O que é o Déficit de Atenção de Alto Funcionamento?

É o TDA que não se encaixa no estereótipo tradicional de “falta de foco” ou “baixo rendimento”. Em vez disso, o indivíduo possui recursos mentais acima da média que permitem:

  • Criar estratégias para compensar lapsos de atenção
  • Resolver problemas rapidamente
  • Entregar resultados mesmo sob caos interno

“Mascarar” sintomas com boa comunicação, criatividade ou memória acima da média

Na escola, essas pessoas eram vistas como “inteligentes, mas distraídas”. Na vida adulta, tornam-se profissionais multitarefas, criativos e cheios de ideias mas que vivem exaustos.

Como a Alta Capacidade Cognitiva Mascara o TDA

Pessoas com alto funcionamento desenvolvem, ao longo da vida, formas de driblar seus sintomas. Isso inclui:

1. Hiperfoco seletivo

Apesar da dificuldade em manter o foco em atividades rotineiras, conseguem se aprofundar intensamente em temas de interesse o que passa a impressão de excelente concentração.

2. Inteligência emocional e comunicação

Muitos conseguem “parecer organizados” ou “dar conta de tudo” socialmente, mesmo que internamente sintam caos.

3. Criatividade como ferramenta de compensação

Criam métodos próprios para lembrar tarefas, resolver problemas e contornar atrasos, mas esses métodos exigem esforço mental enorme.

4. Alta capacidade de improviso

Mesmo quando procrastinam, conseguem entregar resultados porque raciocinam rápido, o que esconde o problema por trás do desempenho.

O ponto crítico é que essas estratégias funcionam… até que deixam de funcionar.

Os Sinais Mais Comuns em Adultos com TDA de Alto Funcionamento

  • Sensação constante de estar “devendo algo”
  • Dificuldade em iniciar tarefas simples
  • Procrastinação crônica
  • Cansaço mental acima do normal
  • Rotina caótica apesar de boas intenções
  • Várias ideias, poucos projetos concluídos
  • Ansiedade e autocrítica excessiva
  • Períodos de produtividade extrema seguidos de exaustão

Muitos desses sintomas são confundidos com preguiça, desorganização ou estresse e por isso o diagnóstico é adiado.

Quando o Problema Começa a Aparecer

Geralmente, o colapso ocorre quando a exigência externa supera a capacidade interna de compensação. É comum em fases como:

  • Entrada na universidade
  • Início da vida profissional
  • Promoções ou cargos com demandas maiores
  • Início do próprio negócio
  • Casamento, mudança ou chegada de filhos

Nessas fases, a pessoa começa a perceber que “sempre vive no limite”.

Por que buscar ajuda é fundamental, identificar o TDA de alto funcionamento é libertador. O diagnóstico correto permite:

  • Entender padrões de comportamento
  • Reduzir a autocrítica
  • Desenvolver estratégias funcionais
  • Aumentar produtividade com menos desgaste
  • Melhorar relacionamentos pessoais e profissionais

Quando tratadas seja com terapia, coaching especializado ou acompanhamento médico essas pessoas costumam ter resultados extraordinários, pois deixam de viver em modo de sobrevivência.

O Déficit de Atenção de Alto Funcionamento é silencioso, inteligente e, muitas vezes, disfarçado de competência. No entanto, a conta emocional chega cedo ou tarde. Reconhecer o transtorno não diminui talentos; pelo contrário, permite que a pessoa use sua capacidade cognitiva de forma saudável, produtiva e sustentável.

Se você se identificou com este artigo, buscar conhecimento e orientação especializada pode ser o próximo passo para transformar sua rotina e alcançar uma vida mais equilibrada.

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